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domingo, 2 de setembro de 2012

Alma em transformação é o símbolo da Borboleta


Originalmente, o termo grego psyche possuía dois significados. Um deles era a Alma e outro a Borboleta e ambos simbolizavam o espírito imortal humano em que na mitologia grega era personificado por uma mulher que possuía as asas dessa bela criatura. Segundo as crenças gregas populares, quando um indivíduo morria, seu espírito deixava o corpo na forma desse inseto, já os índios americanos têm nas Borboletas um símbolo de alegria porque se alimentam do néctar das flores, ajudam na polinização e, por consequência, disseminam ainda mais beleza.  Animal pequeno e delicado, podem ter o peso mínimo de 0,3 gramas e as mais pesadas podem chegar a pesar 3 gramas; alguns tipos podem chegar a medir até 32 centímetros de asa a asa.



Seus olhos possuem milhares de lentes individuais e isto lhes confere o dom de ver uma única imagem com nitidez. Elas percebem comprimentos de onda de luz ultravioleta, o que simbolicamente sugere habilidades clarividentes para aqueles cuja Borboleta é o seu Animal de Poder.  As antenas, uma de cada lado, funcionam como uma espécie de navegador que as orienta e, no caso de uma delas lhes faltar, a Borboleta irá voar em círculos e será incapaz de encontrar o seu caminho. Para aqueles que possuem esta energia primal como aliada, isso sugere que a pessoa precisa permanecer conscientemente conectada ao espírito em todos os momentos para que possa cumprir seus reais objetivos.
Símbolo da mudança e transformações que trazem liberdade, alegria e cor, seu poder está sob a forma de transformação, da mudança e da evolução da alma. Elas representam o elemento Ar, mudam rapidamente e estão sempre em movimento graciosamente, pois este é o primal mensageiro do agora, do momento que surge numa ampla gama de cores. Para aqueles que o têm como Guia Espiritual é imprescindível estudarem a simbologia das cores, pois isso os auxiliará a descobrirem quais são as mensagens trazidas aos seus eleitos. A Borboleta nos alerta que não devemos levar as coisas demasiadamente a sério, precisamos ter leveza para nos movermos. Ela nos ensina que o crescimento e a transformação não precisa ser uma experiência traumática tampouco dolorosa, ao contrário, qualquer transição pode ser alegre. Borboletas possuem a capacidade de crescer e mudar, deixar a zona de conforto do seu casulo para descobrir um mundo novo em uma nova forma, sem medos, confiar nas suas asas e mentes não testadas e voar sem nenhuma sombra de dúvida.
A Lepidoptera passa por etapas importantes para se tornar uma bela criatura e,  semelhante a ela, nós também estamos em movimento e passamos por diferentes estágios, cada um igualmente vital e necessário. Isso indica que não é bom apressar um estágio em particular, nem é bom ficar preso numa fase, tornando-a estagnada.  Borboleta é um símbolo poderoso para aqueles que estão ou consideram fazer uma grande mudança em suas vidas. É também um dos símbolos mais inspiradores do mundo animal, pois sua energia sabe precisamente o tempo para deixar o conforto e a limitação de seu casulo e voar livremente para o mundo. Para nós, seres humanos, o casulo dos nossos pensamentos e medos pode ser tão limitantes quanto seguros e familiares.  Por isso ficamos com medo do que possa estar fora de nossos pensamentos, do nosso controle e dos sistemas de crenças limitantes, prendendo-nos e nos aprisionando a nós mesmos, o que faz com que sabotemos nossos sonhos e desejos, nos separando de nosso potencial ilimitado.


Devemos aprender a lição da Borboleta, que é a de seguir em frente e aprender como descobrir, crescer e melhorar a situação ou estágio em que nos encontramos. Seja a fase de ovo, o início – onde uma ideia nasce e não é a realidade ainda ou o estágio de larva, quando fisicamente obtemos a ideia que vai envolver preparação, tais como planejamento. Ou pode ser o estágio do casulo que implica no desenvolvimento e amadurecimento das ideias, projetos ou do nosso talento. Por fim, o último estágio, o da transformação, onde a crisálida morre para que possa nascer a Borboleta.  Esta última fase partilha as cores e o êxtase da criação com o resto do mundo, e esta é a filosofia que permeia e envolve todo o trabalho executado aqui no Mythos, pois devemos nos lembrar de que estamos sempre evoluindo e crescendo em um destes quatro estágios. Descobrirmos qual deles nos encontramos, se precisamos de mais tempo ou não para completar um estágio antes de estarmos prontos para o próximo é o que esse primal nos alerta: o de tomarmos cuidado para não nos apressarmos, tampouco ficarmos presos em qualquer um dos estágios também.


Devemos lembrar, nem toda mudança deliberada pode ser sentida porque ela pode ser muito sutil, como perder um emprego e, logo em seguida, as circunstâncias nos empurrarem para uma nova direção. Pequenas mudanças podem acontecer dentro do subconsciente do indivíduo sem que ele perceba, até que esteja pronto para uma mudança maior que sequer ele próprio identificará. Se uma pessoa se sente insegura e incerta do que está acontecendo em sua vida agora, então basta olhar para trás sobre o que vem acontecendo em sua vida recentemente, ou mesmo há muito tempo.  Alguma vez você já desejou ter um trabalho diferente? De mudar de carreira? Você é capaz de verificar, em algum nível, se os seus desejos estão se tornando realidade? Tenho certeza que você vai se lembrar do bom e velho ditado “tenha cuidado com o que você quer e deseja..” o que você pensar, isso irá se manifestar.
Esse primal nos auxilia a percebermos que a saída do casulo, de repente, pode nos abrir uma nova porta e que, não pode haver poder sem confiança e vulnerabilidade.  Não mais do que faz uma Borboleta saber se ela pode ou não voar, simplesmente ela abre suas asas em perfeita confiança, e descobre que sua delicadeza lhe permite voar e dançar no ar. Quando entendermos, definitivamente, que a transformação pode ser tão natural quanto respirar, quando nós levarmos o ânimo leve, quando nós confiarmos em nossas próprias asas inexperientes para nos apoiar, nós aprenderemos a ler as mensagens da Borboleta: a própria vida é uma dança alegre. Dançar nos traz a doçura da vida.
Os quatro estágios de crescimento das Borboletas estão em paralelo aos do desenvolvimento humano de nossa primeira formação, de um pensamento para manifestá-la no mundo exterior. Entender que a mudança pode ser tão natural quanto respirar. Não devemos ser tão duros com nós mesmos e sim confiar que as nossas próprias asas inexperientes irão suportar o nosso próprio peso, isto quando recebemos o dom desse totem:  saber que a própria vida é extraordinária e surpreendente. Se você encontrou Borboleta em uma de nossas jornadas, tome nota das questões mais importantes da sua vida e verifique o que precisa ser mudado. Se um sistema ecológico torna-se danificado, as Borboletas geralmente são as primeiras a deixá-lo, pois são altamente sensíveis à harmonia da Terra. Se alguém vê uma Borboleta e está doente, ferido ou preso em alguma situação negativa, isto é uma indicação de que se deve parar de perturbar o desenho e equilíbrio natural da vida e fluir com os acontecimentos de uma forma mais suave e natural.

Valter Barros Moura



Coletânea de poemas de vários autores - Trabalho Primoroso da Poetisa Luna de Primo