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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

SAUDADES SEM FIM





Descobri que a dor de perder um filho não abranda, não
tem fim, não vira a bendita saudade...
Descobri que não é possível fingir ser feliz...
Descobri que a vida continua mas não a sua. Sua vida acaba
no exato momento em que seu filho se foi.......
Você acorda, anda, come, fala, sorri, chora, mas em seu interior
já não existe mais nada...
Quem perde um filho descobre que vive de passado do que foi, e
pouco importa o futuro, porque o que tinha que ser já não é mais.
E você ficou aqui, presa entre dois mundos nessa saudade sem fim !!!!

VOCÊ CONHECE UMA MÃE QUE PERDEU UM FILHO?


 
Você conhece uma mãe que perdeu um filho?
Então telefone pra ela, conte-lhe sobre um filme que você assistiu!
Com certeza ela não vai se interessar pelo que você está contando, mas vai se lembrar que alguém ligou pra ela.
Passe na casa dela!
Eu sei..... É desagradável visitar alguém que sofre, mas diga que está com pressa, minta...
Ela nem vai perceber que você está mentindo...
Abrace-a!
Um abraço apertado, gostoso... Se ela molhar sua roupa, tudo bem! É só lavar depois.
Se você fizer um bolo, leve um pedaço pra ela!
Um bolo nunca mais terá gosto de festa, mas pode ter gostinho de amizade.
Deixe que ela fale sobre seu filho. Vivo ou morto, é o filho dela!
Ela tem saudade, ela tem lembranças, ela tem que viver!
Sobra tão pouco pra uma mãe que perdeu um filho, que independente de quantos ela tenha, um simples sorriso pode iluminar seu dia!
Você sabe o que é solidão?
Não?
Então, lembre-se dela.
Não diga o que ela tem que fazer!
Ela não tem que fazer mais nada...
E jamais diga: " Esqueça , já passou!" ou "Você tem que seguir sua vida!".
Apenas ouça o que ela tem a dizer. Faça-lhe companhia...
Se você conhece uma mãe que perdeu seu filho, abrace o seu.
Não tenha medo de dizer "te amo".
Eu sei, adolescente é chato, mas ele vai gostar de ouvir!
Já é adulto?
Não tem importância...
Diga-lhe: "estou aqui".

A SAUDADE DE QUEM JÁ MORREU

 


Saudade maior é de quem já se foi. Mesmo nos que nutrem a fé no reencontro, é visível a dor de ter que seguir longe de quem se queria por perto. A dor de perder quem nos é querido, pela astuta ação da morte deixa em todos nos a marca da saudade.
Quando a morte ocorre, experimentamos a forte dor e a sensação de termos perdido o chão, perdido as raízes e estarmos, então, soltos no mundo. A falta do outro bagunça e desestrutura. Sofremos muito e, então, vem o luto. O luto é um processo de adaptação após perdermos algo ou alguém que era importante para nós, ou seja, uma perda significativa. Quanto maior o vínculo afetivo, maior será o impacto. O luto é a incapacidade que temos de nos divertir, de estarmos felizes.
Por um tempo é como se funcionássemos no automático e só conseguimos nos ocupar das tarefas cotidianas e daquilo que chamamos de trabalho. Quanto mais repentina é a ação da morte, mais é exigido de nós. Muitos se vão aos poucos, vão adoecendo e partindo lentamente, dando-nos assim tempo de assimilar e digerir a difícil realidade. Na contramão, há situação nas quais somos pegos de surpresa pela partida repentina de quem estava ali ontem, jovem, cheio de vida. A morte exige muito de nós, exige muita coragem.
O que fazer então quando ela nos encontra e leva de nós quem amamos? Em primeiro lugar devemos entender e aceitar que vamos sofrer e então tentar sofrer o mínimo de tempo possível. Quem sofre mais tempo não significa que vive um luto maior nem tampouco que sua dor e/ou seu afeto por quem se foi é maior. O sofrimento pelo sofrimento não tem nada de digno, nem de profundo ou saudável. O sofrer deve ser superado com resiliência (aquela capacidade de cair e se levantar o mais breve possível) e nunca alimentado. Superar a dor, superar o luto deve ser sempre o nosso objetivo, aprendendo sempre. A dor sempre nos ensina muito e ela é inevitável.
Talvez, vocês concordem comigo em afirmar que a maior dor que o ser humano pode vivenciar é a dor da perda de um filho. Acredito que a maior injustiça, que o maior descompasso, que o maior equívoco da natureza é um filho partir antes dos pais, obrigando-os a suportar a dor de uma dilacerante ferida e, depois, a caminhar com uma cicatriz inescondível. Talvez, então, vocês estejam agora me perguntando como e onde conseguir motivação, força para superar algo tão penoso assim. Acredito que a ternura e a fé hão de ser ainda maior e que não há nada a fazer a não ser superar e seguir. Negar, agredir, deprimir-se, desistir…, nenhuma dessas alternativas funciona. O fim de tudo é sempre a aceitação e há vários caminhos para se chegar a ela.
Lembro-me de um depoimento bonito de uma paciente que, ao perder repentinamente a filha jovem em decorrência de um acidente de trânsito, um dia me disse: -Ao ler A Cabana eu achei um caminho para seguir. E assim, depois de um tempo ela conseguiu abandonar os psicotrópicos. O caminho pode estar em um livro, na fé, nas relações afetivas, na caridade ou em qualquer lugar. Ele existe e nós o chamamos de motivação. Cabe a cada um descobrir o que lhe motiva, o que lhe faz vivo e lhe dá força, combustível para seguir.
A única pessoas que permanecerá conosco pelo resto de nossas vidas somos nós mesmos. Por isso nós, estudiosos do comportamento e das emoções humanas insistimos tanto para que tenhamos, cada um de nós, uma ótima relação consigo mesmo. E importante que nos bastemos e que possamos nos carregar no colo, que possamos jogar no nosso próprio time, que nos amemos a ponto de cuidar de nós mesmos e das nossas feridas. A saudade é companheira de todos nós.


  Viviane Battistella

Coletânea de poemas de vários autores - Trabalho Primoroso da Poetisa Luna de Primo