Seguidores

sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Bernardo de Claraval


 "Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam" (Sl. 113,9 - Vulgata Latina) que significa "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome a tua glória" (tradução Almeida).


São Bernardo de Claraval

sexta-feira, 15 de junho de 2012

VEM, CONVERSEMOS ATRAVÉS DA ALMA : O CONVITE POÉTICO DE RUMI




A poesia abaixo é uma das preciosidades do poeta e mestre sufi persa Jalāl ad-Dīn Muḥammad Rūmī (1207-1273), ou somente Rumi, considerado o poeta mais traduzido para o idioma inglês e o maior poeta persa da história. O livro “Poemas Místicos” é uma coletânea de 79 poemas extraídos de uma coleção de mais de 5 mil, criados a partir de um encontro iluminado de Rumi com seu mestre Shams ud-Din de Tabriz – o mesmo mestre que transformou a vida de Rumi no primeiro encontro, indicado como tendo acontecido em 15 de novembro de 1244 (Wikipedia), e que teria tirado Rumi da vida de professor e jurista e o colocado na vida asceta.
Embora a tarefa de descrever a presença da alma ou a comunicação que acontece além dos sentidos seja difícil, Rumi faz um belo esforço nesse poema, e fala ao coração pedindo um tempo à visão e à fala, e confiança na sabedoria que acontece além. O livro “Poemas Místicos” está na Coleção de Trabalhos Representativos da UNESCO, na seção da Herança Persa.

Rumi nasceu onde hoje é território do Afeganistão, no início do século XIII. Seu pai era doutor da lei muçulmana e também místico e pregador, tendo Rumi crescido em um ambiente espiritualizado onde conviviam diversas culturas. 

Aos 37 anos, Rumi já possuía grande reputação como mestre e profundo conhecedor de filosofia, teologia, poesia clássica e jurisprudência. Nesta época ele conhece o dervixe errante Shams (Sol) de Tabriz, este já idoso, uma personificação do amor. Fundidos em êxtase Rumi e Shams passam meses em profunda comunhão mística. É para seu mestre e companheiro que Rumi irá dedicar uma monumental obra poética conhecida como Diwan de Shams de Tabriz. 

Após a morte de Shams, Rumi já um dervixe, cantor extático, ébrio de Deus, irá encontrar a companhia de mais dois homens, que irão acompanhá-lo por dez anos cada um.
Sua obra totaliza mais de 50.000 versos, clássicos da poesia e da mística. O Amor é a grande tônica de sua portentosa obra, e muitas vezes não se pode mais distinguir onde acaba o amor humano e começa o divino, ou vice-versa; humano e divino se fundem numa grande e comovente canção de Amor.

GHAZAL 1540 (“Fountain of Fire”)
Por Rumi
Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: “toca”,
se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
~ Rumi

Fonte:Nando Pereira-http://dharmalog.com/

sexta-feira, 8 de junho de 2012

FLORES Georgia O'Keeffe'S



Georgia O´keeffe






Georgia O´keeffe (1887-1986) foi uma das primeiras mulheres a alcançar um sucesso indiscutível no seio da pintura norte-americana. Afastando-se das influências da pintura europeia dos inícios do século XX e, nomeadamente, do surrealismo, encontramos as principais bases de influência da sua obra na fotografia, tendo como principal mentor o fotógrafo Alfred Stieglitz (1864-1946) que inicialmente começou por se interessar pelos quadros de O’keeffe (numa fase ainda embrionária da sua obra) expondo-os na sua galeria “291” em Nova Iorque, e que, mais tarde, viria a ter um longo relacionamento amoroso com a artista, o que levaria a que houvesse uma influência recíproca na obra de ambos.





Num misto de arte abstracta, irreal e onírica, e arte figurativa, representativa, em certa medida, conservadora, a obra de O´keeffe prima pelo cunho muito pessoal e emotivo que a artista imprime aos seus quadros, deixando transparecer o significado que atribui aos objectos que vê, à realidade que  sente. Daí o seu interesse pela natureza, a paixão pelo Novo México e a sua paisagem selvagem, inóspita até, em contraposição à sociedade moderna, civilizada, tipicamente nova-iorquina, cidade vertical repleta de arranha-céus também retratados por O’keeffe, em que parece haver uma redoma que não deixa sequer entrever o céu.




Em “Prato cor-de-rosa e folhas verdes”, O’keeffe reflecte bem essa dicotomia entre o mundo civilizado e o mundo natural. A vista da janela abrange Brooklyn e o East River, que transparecem de uma forma quase diluída, esvaída, em que as formas não são muito distintas, envoltas em fumo, em névoa; em primeiro plano, temos já a definição, a vivacidade transmitida pela cor, de um prato cor-de-rosa com folhas verdes, um último pedaço de natureza em pleno meio urbano, industrial. A janela parece mesmo fazer uma divisão forçada entre o mundo interior, do lado de cá, e o mundo exterior, do lado de lá. Este último lembra um sonho em que tudo se avista difusamente; e o primeiro, uma realidade construída, artificial, que parece já não existir, já não fazer parte do quotidiano.







De fato, é como se tivesse sido tirada uma fotografia, apenas denunciada pela emotividade e significação presentes nas singelas folhas que parecem desmaiadas pela evidência do contraste esmagador, ultrapassando, assim a própria fotografia.

 Susana Blanda Bate





Hypatia a Filósofa




A vida de Hypatia foi enriquecida com uma paixão para o conhecimento. Hypatia era a filha de Theon, que foi considerado um dos homens mais cultos de Alexandria, Egipto. Theon colocou Hypatia em um mundo de instrução. A maioria de historiadores reconhecem agora Hypatia não somente como uma matemática e uma cientista, mas também como uma filósofa.

Os historiadores são incertos em diferentes aspectos da vida de Hypatia. Por exemplo, a data de seu nascimento é debatida atualmente. Alguns historiadores acreditam que Hypatia nasceu no ano 370. Outros afirmam que era uma mulher mais velha (ao redor 60 anos) na época de sua morte, assim tendo seu nascimento no ano 355.

Durante todo sua infância, Theon levou Hypatia em um ambiente de idéias. Os historiadores acreditam que Theon tentou levantar o ser humano perfeito. Theon ele mesmo era um intelectual bem conhecido e professor de Matemática na Universidade de Alexandria. Theon e Hypatia tiveram uma ligação muito forte enquanto ensinou a Hypatia seu próprio conhecimento e compartilhou de sua paixão na busca para respostas do desconhecido. Enquanto Hypatia crescia e ele ficava mais velho, começou a desenvolver um entusiasmo para a matemática e as ciências (astronomia e astrologia).

A maioria de historiadores acreditam que Hypatia superou o conhecimento do seu pai ainda nova. Entretanto, quando Hypatia estava ainda sob a disciplina do seu pai, desenvolveu também para ela uma rotina física para assegurar para ela um corpo saudável para uma mente altamente funcional. Em sua educação, Theon instruiu Hypatia em diferentes religiões do mundo e ensinou-lhe como influenciar pessoas com o poder das palavras. Ensinou-lhe os fundamentos do ensino, de modo que Hypatia se transformasse uma oradora eficaz .Pessoas de outras cidades vieram estudar e aprender com ela.

Os estudos de Hypatia incluíram a astronomia, a astrologia, e a matemática. Referências em escrito de Synesius, um de seus estudantes, credita a Hypatia a invenção do astrolábio, um dispositivo usado para estudar a astronomia. Entretanto, outras fontes datam este instrumento ao menos um século mais cedo. Claudius Ptolemy escreveu extensivamente sobre o uso do astrolábio plano, e o pai de Hypatia escreveu um treatise do astrolábio o que foi a base para muito do que foi escrito mais tarde na idade média. Hypatia ensinou sobre astrolábio porque Synesius fez um instrumento para que fosse usado como um formulário do astrolábio.

Hypatia ficou mais conhecida pelo trabalho que fez na matemática do que na astronomia, primeiramente em seu trabalho nas idéias das seções cônicas introduzidas por Apollonius. Editou o trabalho no Conics de Apollonius , que dividiu cones nas peças diferentes por um plano. Este conceito desenvolveu as idéias dos hipérboles, das parábolas, e das elipses. O trabalho de Hypatia neste livro importante, fez os conceitos ficarem mais fáceis de se compreender, assim fazendo o trabalho sobreviver muitos séculos. Hypatia foi a primeira mulher há ter um impacto tão profundo na sobrevivência do pensamento adiantado na matemática.

Hypatia viveu em Alexandria quando o cristianismo começou dominar as outras religiões. Nos anos próximos a 390, houve motins contra as religiões diferentes. Nessa época vivia Cyril, um líder entre os cristãos, e seu rival Orestes, o regulador civil, o qual era amigo de Hypatia. Acredita-se que Cyril espalhou boatos horríveis sobre ela para atingir seu rival. Hypatia foi atacada por uma multidão, apedrejada e morta .Mais tarde, o motim arrastou-a através das ruas.

A vida de Hypatia terminou tragicamente, porém seu trabalho de vida remanesceu. Mais tarde, Descartes, Newton, e Leibniz expandiram seu trabalho. Hypatia fez realizações extraordinárias para uma mulher em seu tempo. Os filósofos consideraram-na uma mulher de grande conhecimento e uma excelente professora.

Referências:
Deakin, Michael. "Hypatia e sua matemática," a revista mensal matemática americana , 101 , no. 3 (março 1994), 234-243. (disponível no Web site http://www.matharticles.com de Houghton Mifflin sob a seção 9,1 nos menus da gota para baixo.)
Hypatia de Alexandria, transcript de uma conversa por Michael Deakin, archived em http://www.abc.net.au/rn/science/ockham/or030897.htm
As fontes preliminares para a vida e o trabalho de Hypatia de Alexandria por Michael Deakin.
Knorr, Wilbur. "em Hypatia de Alexandria," em estudos textual em Geometria antiga e medieval , Birkhauser, 1989.
Dzielska, Maria. Hypatia de Alexandria. Cambridge: Imprensa Da Universidade De Harvard, 1995.
Osen, Lynn M. Mulheres na matemática. Estados Unidos: Imprensa de Instituto de Tecnología de Massachusetts, 1974.
Perl, Teri. Biografias de matemáticos das mulheres e de atividades relacionadas. Estados Unidos: Addison-Wesley, 1978.
Neugebauer, Otto A., "o history adiantado do Astrolabe", da "astronomia e do history: Essays Selecionados ", Springer-Verlag (1983).
Dicionário da biografia científica
Hypatia, history de MacTutor dos arquivos da matemática,

domingo, 3 de junho de 2012

Responsabilidade





Cansei de me flagrar em circunstâncias em que eu jurava que havia ocorrido uma falha do cenógrafo na montagem do ambiente: tudo o mais poderia estar no lugar correto, mas não era para eu estar ali. Aí era um tal de listar os supostos culpados, lamentar a má sorte, um blablablá triste toda vida, sob o fundo musical de “Ó, Deus, como sou infeliz”. Muitas cenas depois, porque só o tempo é capaz de nos dar olhos que veem um pouco além das aparências, comecei a encaixar as peças daquelas tais circunstâncias e a perceber que estive exatamente onde eu me coloquei. Nem um centímetro a mais nem a menos. Eram os meus sentimentos, minhas dores pendentes de cura, minha resistência à mudança, minhas crenças equivocadas sobre mim, que me atraíam para aqueles cenários. Peças encaixadas, descobri que, no fim das contas, a roteirista o tempo todo era eu.
Se a história não me agrada, preciso aprender a reescrevê-la até que se torne parecida com a ideia que passa pelo meu coração. O roteiro só muda quando eu assumo a minha responsabilidade por ele e me trabalho para ser capaz de modificá-lo. Não adianta culpar o cenógrafo.

Ana Jácomo


Coletânea de poemas de vários autores - Trabalho Primoroso da Poetisa Luna de Primo