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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Georgia O´keeffe






Georgia O´keeffe (1887-1986) foi uma das primeiras mulheres a alcançar um sucesso indiscutível no seio da pintura norte-americana. Afastando-se das influências da pintura europeia dos inícios do século XX e, nomeadamente, do surrealismo, encontramos as principais bases de influência da sua obra na fotografia, tendo como principal mentor o fotógrafo Alfred Stieglitz (1864-1946) que inicialmente começou por se interessar pelos quadros de O’keeffe (numa fase ainda embrionária da sua obra) expondo-os na sua galeria “291” em Nova Iorque, e que, mais tarde, viria a ter um longo relacionamento amoroso com a artista, o que levaria a que houvesse uma influência recíproca na obra de ambos.





Num misto de arte abstracta, irreal e onírica, e arte figurativa, representativa, em certa medida, conservadora, a obra de O´keeffe prima pelo cunho muito pessoal e emotivo que a artista imprime aos seus quadros, deixando transparecer o significado que atribui aos objectos que vê, à realidade que  sente. Daí o seu interesse pela natureza, a paixão pelo Novo México e a sua paisagem selvagem, inóspita até, em contraposição à sociedade moderna, civilizada, tipicamente nova-iorquina, cidade vertical repleta de arranha-céus também retratados por O’keeffe, em que parece haver uma redoma que não deixa sequer entrever o céu.




Em “Prato cor-de-rosa e folhas verdes”, O’keeffe reflecte bem essa dicotomia entre o mundo civilizado e o mundo natural. A vista da janela abrange Brooklyn e o East River, que transparecem de uma forma quase diluída, esvaída, em que as formas não são muito distintas, envoltas em fumo, em névoa; em primeiro plano, temos já a definição, a vivacidade transmitida pela cor, de um prato cor-de-rosa com folhas verdes, um último pedaço de natureza em pleno meio urbano, industrial. A janela parece mesmo fazer uma divisão forçada entre o mundo interior, do lado de cá, e o mundo exterior, do lado de lá. Este último lembra um sonho em que tudo se avista difusamente; e o primeiro, uma realidade construída, artificial, que parece já não existir, já não fazer parte do quotidiano.







De fato, é como se tivesse sido tirada uma fotografia, apenas denunciada pela emotividade e significação presentes nas singelas folhas que parecem desmaiadas pela evidência do contraste esmagador, ultrapassando, assim a própria fotografia.

 Susana Blanda Bate





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