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domingo, 13 de maio de 2012

Inquietação de Mãe




A grande inquietação de uma mãe, ao contrário do que se imagina, não é saber se ela dará conta de trocar as fraldas, se o choro do filho é de febre ou de fome, se ela está sendo severa ou molenga demais ou se o filho se sente suficientemente amado. Isso, ao vivo, a mãe resolve. Quando ele é bebezinho ou ainda tão pequeno que não consegue resolver na-da — nem comer — sem a sua ajuda, a mãe tem seus questionamentos, mas ao mesmo tempo é preenchida por uma alegria descomunal, porque ele está lá, numa continuidade de seu ventre, naquela ligação mágica, milagrosa e intraduzível.
Toda mãe sabe que os problemas realmente começam quando ele parte para tomar, sozinho, a condução para a escola ou quando vai dormir na casa dos amiguinhos. É o primeiro indício do que há de mais óbvio — e cruel — na criação de um filho: que ele pertence não a ela, mas ao mundo.
Ninguém saberá mais do que ela – nem ele próprio – o que é melhor para o filho. Ninguém o amará mais do que sua mãe, ou lhe desejará mais alegrias do que ela. 
O maior desafio daquela que o ensinou a dar os primeiros passos é justamente deixá-lo caminhar sozinho. E, na primeira noitada em que ele não telefonar para dizer onde está, a que horas chegou e com quem está andando, ela sentirá uma dor dilacerante, uma preocupação que nunca teve, nem consigo própria – até porque ela se garante, mas seu bebê não. Custa-lhe telefonar de cinco em cinco minutos para dizer se comeu direito, se está triste ou feliz, se gostou do filme que acabou de ver no cinema? Uma mãe deveria ser atualizada, via aplicativo de iPad, dos mínimos passos e estados de espírito do filho; só assim ela ficaria relativamente em paz.
Isso vale para qualquer tipo de mãe, da mais extremada à mais independente, que gosta de dizer aos quatro ventos que o Dia das Mães não lhe importa, que é uma data como outra qualquer . colocar um chip em seus filhos para localizá-los a qualquer hora — isso, claro, com a anuência deles. doce ilusão.
Um dia, alguém virará para ela e dirá o quanto seu filho é inteligente, gentil, educado e amado por todos. Ela quase desmaiará de surpresa e emoção e só então saberá o que é a tal da felicidade.
A angústia de saber se você é ou não boa mãe não é uma questão de ego, mas a preocupação com o futuro do ser mais amado do universo. Afinal, o grande medo da humanidade é o futuro e, no caso de uma mãe, esse medo vem em dobro, porque ela teme pelo futuro de duas pessoas — o dela e o do filho (mais o dele do que o dela). Se algum dia ela lhe faltar, o que será dele?
Tudo pode dar errado, assim como tudo pode dar certo.

Crônica Bruno Astuto
Cromo

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