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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MAQUIAVEL E A POLITICA ATUAL


Nicolau Maquiavel (1469-1527) era italiano de Florença. Pensador e estudioso dos clássicos eram apaixonados pela política. Sua controvertida obra é uma espécie de ”manual” sobre a arte de governar, onde o Universo político é cruamente exposto, nele reina a lógica da força dominante e a “virtude” está a serviço da perpetuação no poder.
A repercussão dessa obra foi tamanha que, em todo o mundo, após o seu surgimento inúmeras palavras aumentaram o vocabulário lingüístico com substantivos, adjetivos e verbos como: maquiavelismo, maquiavélico, maquiavelizar etc.
São tantas as interpretações, os estudos comentados, os debates de analistas que vão de personalidades como Jean-Jacques Rousseau, Napoleão Bonaparte, Merleau-Ponty a Antonio Gramsci. Gioberti diz: - “Maquiavel é o Galileu da Política!”
Espantosa é a “modernidade“ da obra escrita em 1513, ou seja, há 497 anos. Para Maquiavel, o poder e o controle substituem a compaixão e a justiça na realidade da política. A mentira é perfeitamente aceitável e está sempre a serviço do governante, que pode fazer o que bem quiser, contanto que não seja pego. O argumento do governante sempre deve ser que tudo foi em prol dos cidadãos, sejam atitudes certas ou erradas.
A máxima que permeia a atuação do governante é famosa: “Os fins justificam os meios!” De acordo com “O Príncipe”, o governante tem uma “ética” própria (virtu), que é desvinculada e diferenciada de qualquer regra conhecida ou preestabelecida. Diz Maquiavel: -“ O tempo leva por diante todas as coisas, e pode mudar o bem em mal e transformar o mal em bem!”
Governantes absolutistas dos séculos XVII e XVIII, fascista como Benito Mussolini em 1924 utilizaram as lições de “O Príncipe”. Dizem que Stalin, tinha “O Príncipe” como livro de cabeceira.
A inovação e a perpetuação dos estudos de Maquiavel sobre a política reside no fato de que ele não se preocupa com conceitos de formas de governo, mas como os homens governam “de fato”. O homem que detém o poder, geralmente, se cega, se corrompe, se utiliza meios inescrupulosos e inúmeros artifícios psicológicos sobre a população para se conservar no poder. Aliás, em se tratando de poder, a vaidade humana gera conflitos, arrogância, opressão, uma luta inevitável entre interesses opostos que são inerentes à atividade política humana.
Maquiavel constata que o bem comum necessita de leis, porém a burocracia e os políticos corrompem-se. Então, o que se pode esperar de uma elite política corrompida legislando em causa própria? Não há como o povo ter um bom retorno nessa situação, pois as leis deixam de representar os interesses públicos.
Quando se trata de fazer política, para Maquiavel significa compreender o sistema de forças com interesses opostos, de calcular e contrabalançar um equilíbrio entre as ações dentro desse sistema.
Maquiavel escreveu “O Príncipe” como um método de ensino de governo para o jovem Duque de Urbino chamado Lorenzo de Médicis, sob a aparência de justificar a tirania. Porém, ele revela aos cidadãos todos os procedimentos execráveis que deveriam ser rejeitados por toda a população... Quase 500 anos se passaram, “O Príncipe” continua atormentando o entendimento, a análise e dando lições das relações existentes entre política, poder, moral dos governantes e população. Cabe a nós, cidadãos conscientes, estudá-lo também, pois dessa forma entenderemos um pouco do agir político adotado e repetido, sistematicamente, nas relações de poder. Assim, estaremos nos preparando para atuar contra as obscuras armadilhas das diversas formas de dominação política. Confesso que, retomarei a leitura de “O Príncipe”, pois ainda tenho muito a aprender e refletir sobre os métodos políticos.


Texto: Salete Micchelini

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