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sábado, 15 de janeiro de 2011

Região Serrana uma tragédia anunciada




Fico triste, mas muito triste mesmo, quando tragédias, como a que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro, ceifam vidas.
Mais triste ainda eu fico quando tragédias como essas são anunciadas, mas transitam livremente ano a ano diante o descaso geral. Descaso das autoridades, descaso da própria população.
Uma grande fatia da população não pode ver um pé de morro, decidindo de pronto ali se instalar.
As autoridades por sua vez cruzam os braços diante da situação. Afinal, mexer com assuntos de urbanização é arrumar sarna pra se coçar, é mexer com reduto de votos e político nenhum é “maluco” de cometer o bom senso de desocupar áreas inapropriadas à moradia.
O resultado não podia ser diferente: 540 mortos (até o presente momento). Uma catástrofe de difícil análise de proporções.
Todo ano, aos redores desta mesma época, é a mesma coisa. Quem não lembra da tragédia no Rio Grande do Sul e Angra dos Reis? E os inúmeros deslizamentos nos morros do Rio de Janeiro?

Podemos agendar. Ao fim do ano de 2011, ao início de 2012, basta esperar a “bola da vez”. Em algum lugar desse nosso Brasil uma tragédia está agendada, sem o mínimo planejamento para resistir a ela, e muito menos para lidar com suas conseqüências.
Eu ouvi o depoimento de um ministro afirmando: “estamos disponibilizando o benefício do FGTS para amparar as vítimas”.
Meu caro ministro, FGTS não é benefício, e ainda que fosse, você deveria amenizar esse tom que soa como se estivesse fazendo um favor a esse povo. Esse povo, meu caro ministro, é para você e sua corja um grupo de meros contribuintes e eleitores, muito antes de ser um grupo de cidadãos ou seres humanos.
Benefício é o Bolsa Família, “Auxílio a isso”, “Auxílio àquilo”, e muitos outros “auxílios” que vocês criam pra mascarar a incompetência (ou má vontade) de não gerar empregos, para que cada cidadão possa ter a dignidade de amparar sua família quando for abordado por tragédias como essa.
O Brasil é um dos países que mais recolhe impostos no mundo, e também um dos que menos fazem uso deles (se é que esse uso existe. A CPMF estava por aí e não me deixa mentir).
As pessoas jurídicas são chupadas pelos impostos, enquanto que as pessoas físicas têm seus contra-cheques avassalados por eles, para que depois apareça um cacique e diga que o direito é um “benefício”.
O Brasil ainda é um país de coronéis. Esses coronéis educam seu povo a ser miserável, a ser pedinte, carente de educação e cultura, e dependente de migalhas. Faz sentido. Enquanto existir esse tipo de educação, existirá fonte de votos e de politicagem. Afinal, se tudo isso se extinguisse, o que nossos coronéis iriam propor nas eleições?
Não adianta lamentar, não adianta procurar causas, pois elas existem devido a uma falta de planejamento e desamparo.
Nos resta lamentar e ajudar para que, no mínimo, a dor desse povo seja amenizada. Dor causada pela perda de tudo que se levou uma vida pra construir, dor causada pela morte.
O povo conta com o próprio povo. É um vizinho que contribui com um cobertor, um saco de arroz, macarrão; talvez um parente e amigo que cede o pedacinho do seu teto pra compartilhar; até mesmo celebridades que encontram em suas agendas uma forma de praticar o humanismo.
É triste ver o meu próximo, o meu semelhante, sentado e apoiando os cotovelos nos joelhos num gesto de desamparo, e muito mais triste é saber que 540 ou mais nem se darão a esse luxo.
Os meus sentimentos de pesar, ao povo do Rio de Janeiro, o meu estado querido e amado. 

Um comentário:

  1. Elsy querida, que saudades!
    Concordo e endosso cada uma das suas palavras. Fiz um post na mesma linha, embora mais suscinto, até porque estou desgastada de tanto falar e nada conseguir mudar, pois pessoas conhecedoras dos seus diretos e dispostas a lutar por eles fazem parte de uma minoria (bem minoria,rs).Isso se dá exatamente pelos motivos que você abordou aqui.
    Parabéns pelas suas palavras, sempre tão sensatas e inteligentes.
    bjs

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Coletânea de poemas de vários autores - Trabalho Primoroso da Poetisa Luna de Primo