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terça-feira, 24 de maio de 2016

O Açaí dos Paraenses





E pra que tu foi plantado, e pra que tu foi plantada

Pra invadir a nossa mesa, e abastar a nossa casa
Teu destino foi traçado pelas mãos da mãe do mato
Mãos prendadas de uma deusa, mãos de toque abençoado
És a planta que alimenta a paixão do nosso povo

Macho fêmea das touceiras onde Oxossi faz seu posto
A mais magra das palmeiras mas mulher do sangue grosso
E homem do sangue vasto tu te entrega até o caroço
E a tua fruta vai rolando para os nossos alguidares
E se entrega ao sacrifício, fruta santa fruta mártir
Tens o dom de seres muito onde muitos não têm nada
Uns te chamam de açaizeiro, outros te chamam Jussara
Põe tapioca, põe farinha d'água, põe açúcar não põe nada ou me bebe como um suco que eu sou muito mais que um fruto
Sou sabor marajoara ...


(Nilson Chaves)

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Coletânea de poemas de vários autores - Trabalho Primoroso da Poetisa Luna de Primo