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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Quando a cólica menstrual se torna uma doença



Todo mês, cada menstruação é sinônimo de sofrimento e muita dor.
Uma cólica que deixa de cama e não melhora com medicação alguma.
Algumas vezes essa dor se prolonga para períodos entre menstruações ou mesmo durante o ato sexual, principalmente em penetrações profundas.
Sempre que menstrua, a mulher elimina o tecido que reveste internamente o útero - o endométrio. No entanto, uma parcela desse tecido é eliminada através das trompas, para dentro do abdome da mulher. "Essas células são eliminadas pelo sistema imunológico feminino, mas cerca de 20% das mulheres conseguem efetivar essa eliminação", explica o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira, presidente da Comissão de Laparoscopia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Estimulado mensalmente pela menstruação, esse tecido vai se alojando e funciona como um 'corpo estranho', em constante crescimento no corpo da mulher. A cada mês, ao crescer, ele provoca uma inflamação ao redor de si, o que resulta na sensação de dor no período menstrual.

Conhecida como endometriose, essa doença é normalmente confundida com cólicas menstruais e pode trazer danos irreversíveis à saúde da mulher se não tratada. "A doença pode lesar órgãos internos e, em alguns casos, levar à falência dos rins, por exemplo", comenta Marco Aurélio.

Ele salienta ainda que a mulher moderna, que engravida menos e mais tardiamente, menstrua mais vezes ao ano e acaba tendo mais chances de desenvolver a doença. "Pode-se dizer que a menstruação é uma incompetência feminina em engravidar naquele determinado ciclo menstrual. Com o advento das pílulas contraceptivas, a mulher vem menstruando cada vez menos. Mas é importante lembrar que o corpo da mulher não foi programado para menstruar com tanta freqüência e ela acaba pagando um preço alto por isso", explica Marco Aurélio.

Outro agravante da doença é o alto índice de infertilidade feminina. "Estima-se que entre 40 e 70% das mulheres inférteis o sejam em função de uma endometriose", comenta Marco Aurélio. "Alguns casos podem ser reversíveis, mas é importante que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível", complementa o ginecologista Maurício Simões Abrão.

Segundo o médico, o tempo entre o início das queixas e diagnóstico é de aproximadamente sete anos. "A idade média de diagnóstico na mulher é de 32 anos, mas ela começa a sentir os sintomas cerca de sete anos antes. É senso comum que sentir dores fortes e mensais durante a menstruação é normal e isso acaba fazendo com que o diagnóstico seja tardio", informa Maurício.
 
Conheça alguns sintomas da endometriose
Com o agravamento da doença, os sintomas começam a ficar mais perceptíveis e agudos. Dores crônicas, infertilidade e problemas no intestino e na bexiga passam a ser uma constante na vida da mulher.

As dores originadas pela endometriose aparecem todos os meses, não passam com medicação e, em alguns casos, incapacitam a mulher, deixando-a de cama. Em casos mais avançados da doença, quando a inflamação do tecido na cavidade abdominal é grande, as dores podem aparecer durante o ato sexual ou mesmo no intervalo entre períodos menstruais.

Outros sintomas da doença são diarréia, sangramento intestinal e da urina e dor para evacuar e urinar. "O que chama a atenção para a doença é quando a cólica durante a menstruação se associa a esses sintomas citados, incluindo a dificuldade que a mulher apresenta para engravidar", comenta o ginecologista Maurício Simões Abrão.
 
Confira tratamentos para a endometriose
O tratamento da endometriose varia de acordo com o estágio em que a doença
se encontra. "Em casos de doenças não avançadas, pode-se tratar a
endometriose com contraceptivos das mais variadas vias ou até através do
DIU de progesterona.
Mas em casos mais avançados, deve-ser recorrer à cirurgia", explica
ginecologista Maurício Simões. O médico lembra ainda que a doença raramente
tem cura.
"A paciente fica bem, ganha em qualidade de vida com o tratamento, mas ela
precisa se ajudar também, pois há fatores que auxiliam no tratamento, como os exercícios físicos", explica.

Existem hoje três maneiras de se diagnosticar a endometriose.
A laparoscopia, um procedimento cirúrgico considerado o método mais eficaz de diagnóstico da doença, é feito através de pequenas incisões na parede do
abdome da mulher para que o médico consiga visualizar a região acometida pela doença. Outras formas de diagnóstico são os exames laboratoriais e de imagem.

Segundo Maurício, um bom diagnóstico da doença pode ser feito através de uma
consulta de qualidade. "Deve-se pensar a doença através de uma boa consulta,
com uma boa anamnese", garante o médico.

Fonte de pesquisa: Redação TERRA

 

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